quinta-feira, 10 de fevereiro de 2011

A Inter-relação entre as concepções de Educação, Cultura e Currículo









                               UNIVERSIDAD POLITÉCNICA E ARTÍSTICA DEL PARAGUAY


Mestranda: Teresinha Mützenberg Manica

               A Inter-relação entre as Concepções de Educação,
                                         Cultura e Currículo


Diz-se que a Educação se forma na família, no entanto para que isso aconteça, a família deverá ter bases sólidas e cultivar a moral e a ética em seu lar e o que integra o indivíduo na sociedade e no grupo social em que vive é o patrimônio cultural que ele recebe pela educação.
Podemos então dizer que a educação tem como objetivos a transmissão da cultura, bem como, a adaptação dos indivíduos à sociedade.
Portanto, os muitos entendimentos hoje, sobre o que seja educação e o que seja cultura nos levam a choques teóricos e práticos. Muitas são as manifestações culturais na vida cotidiana, acadêmica e política. Por isso, estabelecer relações entre cultura e educação, é um desafio. Sabemos que povos oriundos de diferentes regiões ou países têm culturas diferentes. Pergunto-me então, será que a educação desses povos é a mesma?

    De modo um tanto resumido, pode-se dizer que ao longo dos últimos dois ou três séculos as discussões sobre cultura e educação restringiram-se quase que apenas a questões de superfície. Com isso não quero dizer que as discussões tenham sido superficiais, mas sim que, por um bom tempo, a Modernidade não questionou seriamente os conceitos de Cultura e Educação; quase nunca esteve em pauta problematizar seus significados modernos. Ao contrário, o que se fez foi centrar as discussões e partir de uma base conceitual assumidamente comum para, a partir daí analisar, propor, debater, pensar no âmbito da Cultura e da Educação. Aceitou-se, de m modo geral e sem maiores questionamentos, que cultura designava o conjunto de tudo aquilo que a humanidade havia produzido de melhor – fosse em termos materiais, filosóficos, científicos, literários etc. nesse sentido, a Cultura foi durante muito tempo pensada como única e universal. (Alfredo Veiga Neto)


Conforme Kant, 1996, p.26-27, na Educação o homem deve ser disciplinado, tornar-se culto, também deve cuidar que o homem se torne prudente, deve por fim cuidar da moralização.
O Currículo tem sua origem na Grécia Antiga, qualquer indicação do que se ensina; na Europa no século XVI como Plano estruturado de estudos; na década de 20 nos EUA como uma ferramenta pedagógica de massificação. A partir de 1983, o Currículo começou a tomar outra forma. As mudanças sócio-econômicas e culturais atingem um dos elementos mais importantes da atividade escolar: o currículo.
        Ao refletirmos sobre o processo de construção do conhecimento em nossas instituições escolares, não podemos deixar de lado o currículo e sua ligação com a cultura local e os aspectos ideológicos impostos pela classe dominante. O currículo, tal como a cultura, é uma zona de produtividade. Essa produtividade, entretanto, não pode ser desvinculada do caráter social dos processos e das práticas de significação. Cultura e currículo são, sobretudo, relações sociais.
       Embora o currículo esteja submetido a regras, restrições, convenções e regulamentos próprios da instituição educacional, também pode ser visto como um texto e analisado como um discurso. O currículo é um espaço, um campo de produção e criação de significado. Com este instrumento se produz sentido e significado sobre os vários campos e atividades sociais. É de fundamental importância a função da escola no processo de construção do conhecimento.
As várias teorias sobre currículo que mais se ocupavam em dizer como organizar os conteúdos  a serem ensinados, do que em problematizar o que deveria ser ensinado.
Muitas mudanças aconteceram no mundo e em nós, mas as desigualdades continuam e parece que são cada vez maiores em termos culturais. E essas mudanças estão se refletindo, principalmente, na teorização educacional e, sobretudo, no currículo.
A relação entre contexto socioeconômico-político, educação e currículo, evidencia-se em todos os tempos. Os currículos são adequados aos contextos, especialmente no sentido de garantia dos interresses dominantes, atendendo as necessidades econômicas e políticas, na medida do desenvolvimento da sociedade.
 O currículo escolar deve estar diretamente relacionado às expectativas multi-culturais e trabalhar de forma a valorizar e respeitar as diferenças. A escola precisa abrir espaços para que estas representações, que têm sido silenciadas e excluídas na sociedade, possam entrar e conhecê-las como culturas presentes no dia-a-dia da escola. Ou seja, a escola precisa somar a teoria com a prática da realidade social.
 Assim sendo, vale ressaltar que o conhecimento das relações e contradições que envolvem as políticas curriculares oficiais é um aspecto imprescindível  para a ação autônoma da escola e do educador na análise e na escolha que se manifesta no currículo real presente na prática educativa. Um currículo oficial pode constituir-se num território fértil para se discutir, investigar, mas, sobretudo, num espaço sobre o qual se pode intervir. Por isso, não podemos ignorar que os currículos oficiais constituem-se na carta de intenções governamentais para cada nível de ensino, e, como tal, orientam a produção do conhecimento oficial.

Referências bibliográficas
KANT, Immanuel, (1996). Sobre a pedagogia. Piracicaba: UNIMEP. Tradução de Francisco Cock Fontanella.

VEIGA-NETO, Alfredo, (2002a). Cultura e currículo. Contrapontos,
v. 2, n° 4, jan-abr., p. 43-51.

FORQUIN, J. C. Escola e Cultura. Porto Alegre: Artes Médicas, 1993.

ZOTTI, Solange Aparecida, (2004). Sociedade, Educação e Currículo no Brasil dos Jesuítas aos anos de 1980. Autores Associados. Brasília, DF.


OLIVEIRA, Pércio Santos de, Introdução a Sociologia, Editora ática, 2002.

CHAUÍ, Marilena, Filosofia, Editora Ática, 2002.













































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